As fortes chuvas que o Pará vem enfrentado nos últimos tempos têm causado estragos de toda ordem. Agora, as intempéries do tempo atingiram o desenvolvimento do Luz para Todos, programa do Governo Federal que pretende universalizar o acesso e uso de energia elétrica no Brasil, principalmente na área rural.
O Pará está com dificuldades de cumprir as metas estabelecidas para este ano pelo programa, onde estão previstas 78 mil novas ligações. Até o momento foram feitas dez mil, uma média de 2.500 ligações por mês, quando o ideal seria alcançar oito mil no mesmo período. A informação foi dada na reunião do comitê gestor estadual do Luz para Todos, realizada na manhã desta terça-feira (12), na sede da Eletronorte, onde foi apresentado um balanço das atividades desenvolvidas no primeiro trimestre de 2009 pelo programa.
“Os problemas criados pelo mau tempo se refletem no Luz para Todos. Esperamos que tudo seja resolvido o mais breve possível para que as populações dos municípios que serão contempladas nas próximas etapas do programa não fiquem prejudicadas”, disse Helder Barbalho, presidente da Federação das Associações de Municípios do Estado do Pará (Famep), entidade que compõe o comitê gestor juntamente com o Ministério das Minas e Energia, Governo do Estado, Sebrae, CUT, Fetagri, Faepa e o grupo Rede Energia, responsável pela implantação da parte física do programa.
Em 2009, no Pará, estão previstos investimentos na ordem de R$300 milhões para a conclusão das etapas 7 e 8 e início da etapa 9 do programa. Na etapa 7, serão 32 mil ligações, na 8, 44 mil e, na 9, mais 78 mil ligações.
“Este ano temos contra nós as enchentes, o estado precário de pontes e estradas e outros problemas criados pelas chuvas e isso se reflete no avanço físico das ligações, que fica prejudicado”, relatou Levi Chavaglia, coordenador do comitê gestor estadual. Mas, apesar dos problemas causados pelo mau tempo, ao longo das atividades do Luz para Todos, as metas do programa vêm sendo cumpridas no Pará. Das 366 mil ligações previstas, 60% já foram efetivadas.
Etapa 9
Na pauta da reunião do conselho gestor também estava previsto a deliberação das prioridades de trabalho da etapa 9 do Luz para Todos, mas a pedido do presidente da Famep essa discussão foi adiada para a próxima reunião do comitê.
“Queremos dividir as informações e ouvir todas as associações que integram a Famep, pois são elas que mantêm contato direto com os municípios e conhecem de perto a realidade e a necessidade de cada lugar desse Estado, daí entendermos ser importante escutá-las e trazer suas sugestões para o programa”, ressaltou Helder Barbalho.
Um ponto importante que será destacado aos municípios paraenses diz respeito aos critérios estabelecidos pelo Ministério de Minas e Energia para a ampliação da rede de energia elétrica. A prioridade é a de atender, em primeiro lugar, municípios com baixos Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e de atendimento pelo próprio Luz para Todos.
“Esse critérios são cristalinos e nos deixam muito tranqüilos com relação à justiça que se faz na execução do programa”, afirmou Levi Chavaglia.
História
O Luz para Todos iniciou no Pará em 2004 com uma meta de implantação de 256 mil novas ligações, número que foi ampliado para 366 mil em função do surgimento de novos consumidores.
Já foram realizados 60% desse total, o que corresponde a 219 mil ligações feitas em todos os municípios paraenses. Até 2010 serão investidos no Pará R$ 2,7 bilhões de reais, recursos provenientes, em sua maioria, do Governo Federal e que representam 10% do total dos investimentos totais do programa.
O projeto atende principalmente as áreas rurais, assentamentos, comunidades quilombolas e pequenos agricultores, onde são feitas ligações com até 15 kva de potência.